terça-feira, 6 de março de 2012

Injeção errada gera indenização em Franca Prefeitura terá de pagar R$ 76 mil à família de criança que teve atrofia na perna após erro de enfermeira


O Tribunal de Justiça condenou a prefeitura de Franca a pagar uma indenização por danos morais e materiais de R$ 76.300 para a família do garoto Bryan Alves Ribeiro, devido a uma injeção aplicada errada.
Em 10 de agosto de 2006, o menino tomou o medicamento no pronto-socorro municipal Dr. Janjão. O remédio teria causado a atrofia na perna da criança, que tinha três anos quando foi levada à unidade de saúde devido a uma crise de vômito.
"Ele tomou uma injeção de Dramin e na hora chorou muito, mas a enfermeira falou que era birra. Ele foi levado para casa, dormiu por duas horas e quando acordou a mãe percebeu que o pé dele já estava meio bobo", diz a advogada Márcia Minuta, que representa a família. Os pais retornaram com a criança ao pronto-socorro, mas foram informados que a dormência no pé era uma reação natural do medicamento.
Com o tempo, a deformação no pé da criança se agravou. Hoje, com 8 anos, Bryan necessita de uma cirurgia para tentar ter uma vida normal, já que não tem movimento no pé direito. Segundo o processo, a injeção dada por uma auxiliar de enfermagem atingiu o nervo ciático. "Este dinheiro da indenização não cobre sequer a cirurgia particular que ele precisa, já que no Hospital das Clínicas [de Ribeirão] não tem previsão para o procedimento cirúrgico acontecer. Pensamos em entrar com ação para agilizar a cirurgia na rede pública", diz a advogada.
Ela conta que a família gostaria de passar o menino por um especialista particular, mas não tem R$ 350 para pagar a consulta. A advogada pretende recorrer do acórdão do TJ nos próximos dias. Em primeira instância a indenização era de R$ 204 mil por danos morais com correção monetária e pensão de dois salários mínimos para o custeio da fisioterapia até Bryan completar 25 anos.
"Este valor atribuído pelo Tribunal de Justiça não dá sequer para ele ter um tratamento com dignidade. Ele precisa de fisioterapia e de outros cuidados que a família não tem como arcar".
Laudo atesta erro durante o procedimento
A assessoria de imprensa da prefeitura de Franca não retornou a ligação da reportagem. No processo que tramitou no Tribunal de Justiça o departamento jurídico da prefeitura alegou que a lesão no pé do garoto poderia ter ocorrido pelo erro na aplicação da injeção, mas também por um movimento brusco da vítima ou por anomalia orgânica. No entanto, os desembargadores do TJ alegam que perícia do Instituto Médico Legal constatou que durante a aplicação da injeção, houve realmente o comprometimento do nervo ciático.
fonte: a Cidade

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